Isis Sena Silva

Pequena biografia da autoria responsável (máx 400 palavras): Fascinada e cativada pela arte desde pequena, cresci vendo os cadernos de desenho de minha avó, primorosos e acurados – alguns inacabados devido a lastimosa força do tempo. Buscava com meus modos meio crus fazer também meus rascunhos. Graduei-me em Artes Visuais em 2015, em seguida dediquei-me ao mestrado em Artes, Cultura e Linguagens, finalizado em 2017. No momento, atuo como professora de Arte em Minas Gerais. Logo no início da vida acadêmica encontrei a poética que me acompanha desde então: a fotografia. Posso dizer que minha câmera sempre foi, no meu universo, uma forma de falar, de realmente enxergar minha própria vida e os sentimentos que dela fazem parte. Não sou artista, tampouco sou fotógrafa, mas encontrei, através da lente, uma forma de externar e compreender meus pensamentos, embora, por vezes, indelineáveis. Atuo como professora de Arte na rede de ensino estadual de Minas Gerais, pesquisadora e artista, seguindo a linguagem da fotografia contemporânea e explorando as potencialidades de detalhes que, ao olhar de muitos, passam despercebidos. Através de registros sensíveis busco, em minha poética, investigar aspectos tangentes de minha própria vida e ressignificar de forma indelineável as problemáticas que dela fazem parte.

 

Sobreposto

A série Sobreposto traz à tona, por meio de uma agregação de aspectos simbólicos, aquilo que se sobrepõe à essência do ser e que, ao mesmo tempo, põe em evidência e aclara esse ser, imbricando-se em suas vivências. No conjunto de fotografias, uso meu próprio corpo como objeto de minha lente, transcrevendo sobre minha pele diversas palavras-signos relacionadas às possibilidades e relações criadas pela arte. O corpo traduz e expressa pensamentos soltos e livres acerca dos limites e da efemeridade da obra de arte contemporânea, expondo uma narrativa que revela não somente uma dimensão privada e o processo criativo, mas, ainda, as conceituações e pautas que envolvem a arte na atualidade. A arte de Sobreposto configura-se como algo temporal, passageiro e mutável, uma vez que se encontra viva no momento em que foi experienciada — mas deixa registros palpáveis, possibilitando ser ressignificada e trabalhada de formas infindáveis através de outros olhares. As inscrições corpóreas produzidas transitam, ainda, entre os conceitos que dialogam com as vivências (e convivências) e com a permeabilidade daquilo que somos e fazemos diante de uma arte irrequieta, que adentra no âmago do ser e transita nele em um ir e vir sem fronteiras e términos, tornando-se potente e ativa diante do eu. O discurso de Sobreposto explora, ainda, a relação de contiguidade entre a lente e aquilo que se pretende mostrar, tornando visíveis ângulos e detalhes pouco explorados. De forma insólita meus trabalhos, a interação que se estabelece quando o eu coloca-se como fruto da própria arte apresenta um processo criativo diverso daqueles apresentados em séries anteriores. As inscrições feitas no corpo partem de uma concepção pessoal e de um encadeamento não linear de pensamentos e ideias, gerando, como produto final de uma experiência artística, não apenas a ótica entre o enleio da corporeidade e a fotografia, mas um significativo exame acerca do trato que se delineia entre a estética das escrituras corpóreas, suas conceituações e meu próprio corpo.


Técnica e/ou materiais: Fotografia.