Lucas Sabatini

LUCAS SABATINI é ator, produtor cultural e arte-educador. Mestrando em Artes Cênicas pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Formado em Licenciatura em Arte-Teatro pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e em Produção Cultural pela Fundação das Artes de São Caetano do Sul (FASCS). Em 2019, fez a oficina Laboratório Dramático com Antônio Januzelli, no Itaú Cultural. Em 2017, cursou Formação de Palhaço pelos Doutores da Alegria e fez parte do Núcleo TUSP de Experimento Teatral. Ainda em 2017, fez duas oficinas ministradas pelo diretor Eric Lenate: Eufonia: arquiteturas vocal-físico-emocionais do intérprete; e Intérprete: Alquimista Supremo. Em 2015, fez o curso Introdução ao Método do Ator do Centro de Pesquisa Teatral/CPT, dirigido por Antunes Filho. Em 2013, integrou o Núcleo Experimental de Artes Cênicas do SESI-SP. Fez também a oficina Tchekhov de Carne e Osso com Arman Saribekyan (Théâtre du Solei) e a Master Classes com o Odin Teatret e Eugenio Barba (Sesc Belenzinho). Toca violão e tem vivência em dança contemporânea com o Grupo Cena 11 Cia de Dança. Em 2021, foi selecionado – na categoria Leitura Dramática com o texto Do Vigésimo Andar – para A-Mostra.lab (festival de cenas curtas de Belo Horizonte-MG). Em 2020, Lucas Sabatini produziu, dirigiu e atuou no monólogo Esperando Godot (em casa). Essa montagem lhe rendeu o Prêmio Funarte RespirArte na categoria Teatro. Atualmente, é arte-educador contratado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, ministrando aulas de Teatro para adultos na Casa de Cultura Vila Guilherme. Como ator, integra o grupo Màli Teatro e a Cia de Teatro Mas Por Quê?. Além disso, é cofundador, produtor e ator do grupo Os Viajantes de Papel; contemplado pelo Circuito Municipal de Cultura de SP (2018) e Conexão Casas de Cultura de SP Online (2020). Atua, desde 2018, na peça A Verdadeira Roupa do Rei do grupo Arautos Cênicos (mais de 40 apresentações pelo Estado de SP dentro do Projeto SESCOOP de Cultura). Integrou o elenco de peças como Experiência Antígona (2017), sob a direção de Eric Lenate e Princípios (2016), sob a direção de Erick Gallani. Cumpriu temporada, em 2014, no Centro Cultural FIESP, atuando nas peças 52 Hertz e Vermelho-Céu, ambas sob a direção de Marcelo Lazzaratto.

Esperando Godot (em casa)

Diante do cenário pandêmico de 2020, a ideia para a elaboração desta obra se deu a partir do desafio de montar um monólogo em casa. Para isso, a obra escolhida foi "Esperando Godot", do irlandês Samuel Beckett. Estabelecendo alguns paralelos com a dramaturgia original, temos a cena adaptada para uma sala qualquer, de uma casa qualquer, de um tempo qualquer. A proposta parte da vontade de pesquisar a angustia do isolamento social que estamos enfrentando há mais de 17 meses. Sair ou ficar em casa? Como lidar com o desejo do encontro e do abraço?

A adaptação do texto se deu pelo desejo de intensificar a falta de ação diante de problemas que, aparentemente, estão fora do nosso alcance. Vladmir espera pela visita de Godot. Há quanto tempo? Impossível saber. Aliás, quem é Godot? Impossível saber. Nem mesmo Beckett sabia. Ele pode ser um e muitos ao mesmo tempo. As questões são mais valorizadas do que as respostas. A grandeza do texto se dá exatamente pela sua profunda reflexão filosófica atemporal.

 

Propostas estéticas:
A concepção estética foi pensada de uma maneira em que fosse possível utilizar somente o que eu já possuía em casa. A necessidade e urgência do isolamento guiaram as escolhas dos materiais. O cenário escolhido foi a sala. Um espaço pequeno, ao mesmo tempo, relativamente, vazio, que reflete o sufocamento pandêmico. O figurino se deu pela utilização de minhas próprias vestimentas, mas a escolha não foi ao acaso. A predileção por cores escuras dialoga com a frieza dos tempos sombrios que estamos enfrentando. A blusa com capuz tem especial destaque ao potencializara fuga do corpo de qualquer tipo de contato pele com pele. A iluminação comunica com a cena. O lustre redondo que pende do teto transmite uma luz quente e, simbolicamente, remete à uma possível redenção ou, quem sabe, um paraíso prometido. A trilha sonora realça a ideia de inação do personagem, visto que ela se repete em um ciclo sem fim durante todo o monólogo.

 

Sinopse:
A partir da obra teatral "Esperando Godot", do irlandês Samuel Beckett, temos a cena adaptada para uma sala qualquer, de uma casa qualquer, de um tempo qualquer. Nessa atmosfera, existe apenas Vladimir. Sem perspectiva em relação ao futuro, esse personagem reflete sobre sua vida e sua existência, tentando achar uma saída ou ao menos um alívio para a angústia do momento presente. Numa espécie de metateatro - ou "metavídeo" - o personagem dialoga, através da câmera que o filma, com um possível amigo que não via há muito tempo. A dramaturgia não se fecha em nada concreto e assim torna-se aberta a diferentes leituras e entendimentos, sendo possível colocá-la em questão com o momento de isolamento social em que estamos inseridos, ou não. A cada olhar, é possível utilizá-la de forma filosófica e reflexiva.

O que fazer? O que fazer quando não há nada a fazer?

Suporte/dimensões: Full HD (1920 x 1080).
Duração: 15 minutos.

Ano de realização: 2020.

Ficha Técnica:
Texto adaptado – Lucas Sabatini
Texto original – Samuel Beckett
Direção e atuação – Lucas Sabatini
Filmagem – Ana Paula Batista
Cenário, figurino e trilha sonora – Lucas Sabatini
Edição de imagem e som – Lucas Sabatini
Classificação – 12 anos