Isabela Vida Moreno

Isabela Vida Moreno é arte-educadora, designer de interiores, produtora cultural, especializada em Fotografia, Arte e Mediações e mestranda em Artes Visuais, pela UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas). Graduada em Artes Visuais (Bacharelado e Licenciatura) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP/SP). Sua atuação como artista visual abrange formas poéticas mutáveis numa perspectiva inter e transdisciplinar com aprofundamento e prática principal em fotografia, cerâmica, fundição e patrimônio.

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Convide a deitar

Convide a deitar I


Monumento a Duque de Caxias, maior estátua equestre do mundo, com 48 metros, localizada na Praça Princesa Isabela, na esquina das avenidas Duque de Caxias e Rio Branco, na região central de São Paulo. Caxias foi o implacável militar que enterrou as revoltas populares do período da Regência, um imperialista escravocrata, responsável pelos 10 mil mortos na Balaiada, conhecido como o Massacre de Porongos. Ainda não caiu do seu cavalo, mas quando cair, convido-o a deitar.

Convide a deitar II


O monumento de Borba Gato, registrado com tintas coloridas após protestos, na colagem, sendo convidade a deitar, já na vida real, segue em pé na região de Santo Amaro, em São Paulo, com direito a escolta da GCM e tudo.

Convide a deitar III

Derrubada do busto do ex-presidente Costa e Silva, um dos 377 feitores da ditadura militar citados pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) como violador dos direitos humanos. O busto fora retirado da via pública de Taquari (RS) em 2014 e realocado no museu da cidade, que leva seu nome. Aqui, convido-o a deitar. 
 

Convide a deitar IV

Convide a deitar V

MÃO-DÁ-VIDA

A MÃO DÁ VIDA
TUDO TOCA, AMA, SENTE
DÁ VAZÃO ÀS ÁGUAS DO PEITO
ABRE AS COMPORTAS, CURA O MUNDO, 
SECA A ÚLTIMA LÁGRIMA COM SUAS LINHAS DE IMPRESSÃO.
EXPRESSÃO MINHA OU TINHA QUE SER PELAS MÃOS QUE CARREGA NO COLO, AFAGA, QUE REFLETE E DESAGUA O ESPELHO DO MUNDO, MUDO, DIANTE DE TANTA BONITEZA DE UMA VIVIDA VIDA DE MARÉS, TUFÕES E CORRENTEZAS ESCOANDO EM TRISTE DOENÇA QUE INSISTE EM ESMORECER 
ADOECE ALMAS, ENALTECE ÁGUA QUE FLUI DE DENTRO PRA FORA NA ANGÚSTIA IMPOTENTE DE TER O MUNDO EM SUAS MÃOS E SENTIR A VIDA PASSAR PELOS VÃOS.
ESTE TRABALHO É UMA HOMENAGEM A TODOS AQUELES QUE PERDERAM O AMOR DE SUAS VIDAS, QUE SALVARAM VIDAS QUE SÃO AMORES DE ALGUÉM
QUE REFLETEM SOBRE AS ÁGUAS QUE BROTAM QUE BEIRAM, E QUE ADOECEM TAMBÉM,
SORRISOS INDISPENSÁVEIS EM MÁSCARAS DESCARTÁVEIS, AGUEM, CUREM, AMÉM.

Superexposição do Aprisionamento

Fotografia Digital
Tríptico realizado com a técnica fotográfica do light painting.

Superexpor - Expor além do limite - oversharing - alta exposição
Prisioneiro - capturado - detido - sufocado
A experiência estética fotográfica vem ao encontro deste tempo-espaço outro, pelo viés da subversão do aparato tecnológico e sua inversão na lógica de funcionamento, de modo a imprimir uma nova perspectiva simbólica aos desígnios do imaginário. 
Colocando assim, em foco, a imaginação do artista em seu ócio produtivo, em seu cárcere, a elaborar questões acerca da contemporaneidade, daquilo que nos põem em movimento mesmo quando em estado de inércia, para assim, desconfinar o fazer da Arte em uma necessidade cada vez mais emergente e imergente, inerente ao seu meio, subvertendo o seu tempo, ocupando todos os espaços.
Junto ao isolamento, surgiram diversos questionamentos sobre os caminhos tomados pelos nossos representantes políticos e um acompanhamento assíduo nas relações diplomáticas com outros países, assim como nas relações interpessoais cada vez mais necessitadas de atenção, respiro e de um real distanciamento para reflexão e despertar permanentemente deste estado de alerta.
Este sufocamento, esgotamento e isolamento presente nestes dias (mais do que nunca), se aproximam das questões referentes à relação intrapessoal que surgia, trazendo um alerta para fazer do meu corpo: meu abrigo, minha morada, minha armadura, minha arte e meu silêncio. Sobre essas imagens silenciosas e silenciadas, o efêmero e o perpétuo na fotografia, Jean Baudrillard, em “A Arte da Desaparição” descreve:
Sem que nos demos conta é uma das qualidades mais preciosas e mais originais da imagem fotográfica, diferentemente do cinema, da televisão [...] Silêncio não somente da imagem que renuncia a qualquer discurso, para ser vista e lida de algum modo “interiormente” – mas também o silêncio no qual mergulha o objeto que ela apreende. (BAUDRILLARD, 1997, p. 39/40)